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Peñarol perde do Vélez, mas reedita final de 62 contra o Santos

O Peñarol provou nesta quinta-feira o valor da magra vitória por 1 a 0, em casa, no primeiro jogo da semifinal. Na Argentina, a equipe perdeu do Vélez Sarsfield por 2 a 1 e, por ter marcado gol como visitante, está classificado para enfrentar o Santos na decisão da Libertadores, repetindo confronto do primeiro título alvinegro, em 1962.

Para reencontrar o adversário que o venceu há 49 anos, o clube uruguaio, pentacampeão da Libertadores e agora o maior finalista da história da competição com dez aparições em decisões, contou com a ajuda de um compatriota. O ex-corintiano Santiago Silva perdeu um pênalti quando seu time já vencia por 2 a 1.

Antes, os visitantes mostraram sua força nos contra-ataques e abriram o placar com Mier, aos 33 minutos do primeiro tempo. Nos acréscimos, o Vélez empatou com Tobio e virou aos 21 minutos da etapa final com Santiago Silva. Três minutos depois, os anfitriões ficaram com um a menos, com Ortiz expulso, mas “El Tanque” teve em seus pés o pênalti da classificação, aos 30 minutos, e mandou por cima do gol.

As finais da Libertadores estão marcadas para os dias 15 e 22. O primeiro confronto será em Montevidéu, no Uruguai, já que o Peñarol fez campanha pior que o Santos na primeira fase do torneio. A definição do campeão ocorrerá em São Paulo, no Pacaembu ou no Morumbi.

Confuso na busca pelo resultado dentro de casa, o Peñarol mostrou que sabe se beneficiar do contra-ataque, mais provável como visitante, para ditar o ritmo do confronto na Argentina. O placar não foi aberto antes pelo uruguaio porque o meia-atacante Martinuccio não conseguiu aliar sua velocidade com precisão na finalização.

Logo aos três minutos de jogo, o jogador cobiçado pelo Palmeiras aproveitou toque de primeira na intermediária, driblou um marcador, venceu outros três na corrida e entreou livre na área, mas faltou força para chutar. A bola ficou fácil nas mãos do goleiro Barovero.

Chave da força da equipe uruguaia, o baixinho Martinuccio perdeu gol até de cabeça, recebendo livre. O Vélez, que havia perdido Cubero por lesão – Tobio entrou em seu lugar – demorou a entender que o Peñarol controlava todas as suas investidas na intermediária, forçando os argentinos a caírem pelas laterais, e encontravam o meia-atacante sempre sem marcação.

Os anfitriões, contudo, conseguiram ter o controle do confronto aproveitando-se bem das jogadas pelos flancos, principalmente pela esquerda. O problema é que Santiago Silva, referência de todas as bolas alçadas na área, não conseguia ser fatal, seja por falha no posicionamento ou técnica.

E Martinuccio, enfim, conseguiu colocar o Peñarol em vantagem. Exatamente quando, finalmente, foi marcado. Aos 33 minutos, o meia-atacante segurou a bola na área, pela direita, prendeu a atenção de dois adversários e inverteu com um passe rasteiro para Mier dominar e colocar a bola nas redes de Barovero aos 46 minutos.

Em desvantagem, o Vélez conseguiu ver sua estratégia torna-se mais útil. Santiago Silva passou a ajudar até escorando pelo alto para um colega em melhores condições. O problema era que as finalizações continuavam erradas. Mesmo quando a bola entrou, após a característica torça de passes do time argentino pela esquerda, o árbitro invalidou gol de Martínez, que estava em posição legal.

A presença de Moralez, principal jogador do time e desfalque no Uruguai, finalmente teve resultado no final do primeiro tempo. Em uma bola levantada por ele em cobrança de falta pela esquerda, o goleiro Sosa, do Uruguai, acabou rebatendo fraco, deixando-a nos pés de Tobio, que logo tratou de empatar.

SarsfieldSe dominou no início do primeiro tempo, o Peñarol tratou de não se arriscar muito na volta do intervalo e jogar com o regulamento a seu favor. E forneceu campo ao Vélez, atacando somente em cada vez mais raros lançamentos para Martinuccio. Um deles, quase deu certo, quando o meia-atacante deu um chapéu no meio-campo e deixou Juan Olivera livre, mas o atacante perdeu chance incrível.

Na sequência do lance, a postura menos ousada dos visitantes logo foi punida. Santiago Silva, quase na marca do pênalti, aproveitou ajeitada de Martínez com o peito para virar o placar aos 21 minutos. O centroavante uruguaio pegou a bola nas mãos e virbou com a torcida levando-a para o centro do campo, em imagem que simbolizava as boas possibilidades de classificação dos argentinos.

Intensamente apoiada pelo estádio lotado, que cantou até uma versão de “Ilariê”, música da Xuxa, a equipe da casa acabou se prejudicando pelo nervosismo em campo. O zagueiro Ortiz, que já havia recebido amarelo por iniciar confusão no primeiro tempo e falhado no gol do Peñarol, deu um pontapé em Martinuccio e foi expulso aos 24 minutos.

Ficar com um a menos, porém, não fazia muita diferença diante de um Peñarol que preferia manter pelo menos oito atletas atrás da intermediária. Por isso, os argentinos ainda tiveram a oportunidade de fazer o gol da classificação, após Martínez sofrer pênalti. Mas Santiago Silva chutou por cima do travessão, aos 30 minutos, a classificação para a final e a sua chance de ser herói.

Depois do susto, o Peñarol teve mais inteligência. Aproveitou-se do desespero misturado até com desânimo dos donos da casa para adiantar sua marcação, manter a bola bem distante de sua área e aproveitar qualquer escanteio ou cobrança de lateral para ganhar tempo. Assim, matará a saudade de disputar uma final de Libertadores.

Fonte A Gazeta Esportiva.

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